Espécies migradoras: porque precisam de rios saudáveis?
A lampreia e a enguia só completam o ciclo de vida se os rios estiverem livres, limpos e conectados ao mar.
Revisto em 24 de setembro de 2026
Rios como corredores de vida
As espécies migradoras dependem de rios funcionais: a lampreia sobe do mar até aos troços superiores para desovar e a enguia europeia faz o percurso inverso. O ICNF descreve os rios e estuários como corredores fundamentais dessa migração — se o caminho está bloqueado ou degradado, o ciclo de vida interrompe-se.
A presença e a reprodução de espécies migradoras como a lampreia podem fornecer informação relevante sobre conectividade e disponibilidade de habitats adequados. Ainda assim, nenhuma espécie, isoladamente, constitui uma medida completa do estado ecológico de um rio.
O que um rio saudável exige
Livre circulação (passagens para peixes em barragens), qualidade da água, fundos de gravilha limpos e caudais suficientes. Perder qualquer um destes fatores afeta primeiro precisamente as espécies que mais viajam.
Uma gestão responsável combina regras de captura, conectividade dos rios, qualidade da água, monitorização e rastreabilidade comercial. A atividade económica deve cumprir o enquadramento aplicável sem ser confundida, por si só, com uma medida de conservação.