O ciclo do meixão: a grande viagem da enguia europeia
Nasce no Mar dos Sargaços, atravessa o Atlântico como fio de vidro e só regressa — prateada — para desovar e morrer.
Revisto em 24 de setembro de 2026
Nasce no Mar dos Sargaços
A reprodução da enguia europeia está associada ao Mar dos Sargaços, no Atlântico ocidental. A área de desova é conhecida de forma ampla, mas muitos detalhes do comportamento reprodutivo da espécie continuam por esclarecer cientificamente.
As larvas — leptocefalus, achatadas como folhas — derivam nas correntes do Golfo durante cerca de dois anos até às costas europeias.
Entra no rio como vidro
Ao chegar às fozes, a larva transforma-se em meixão: a enguia de vidro, translúcida, com 5 a 8 centímetros. É esta a fase que sobe os rios portugueses — e a que dá origem à campanha do meixão.
Quem escapa à captura segue rio acima, ganha pigmento e cresce como enguia amarela durante anos — às vezes décadas — em rios, lagoas e pântanos.
Volta prateada
Quando chega a hora, a enguia amarela vira prateada: olhos maiores, corpo gordo, preparado para o sal. Desce o rio, atravessa o Atlântico de volta ao Mar dos Sargaços, desova e morre.
É um ciclo biológico excecional e ainda com aspetos por esclarecer. A Anguilla anguilla está incluída no Apêndice II da CITES e é abrangida pelo Regulamento (CE) n.º 1100/2007, pelo que a origem, a finalidade e a documentação de cada operação são particularmente relevantes.