Como conciliar atividade económica e proteção da biodiversidade?
Não é escolher entre o rio e o negócio: é construir um negócio que só existe enquanto o rio existir.
Revisto em 24 de setembro de 2026
A falsa escolha
A questão costuma ser posta como se fosse binária: ou a economia ou a conservação. Para as espécies de campanha, a realidade é outra — a atividade económica da pesca tradicional só sobrevive se as populações sobreviverem. O interesse comercial e o interesse de conservação apontam, no longo prazo, para o mesmo lado.
O que separa os dois caminhos é a regra: pesca licenciada, períodos respeitados, capturas registadas, comércio documentado. É possível viver do rio sem o esvaziar — é o que as comunidades ribeirinhas fazem há séculos.
O modelo Karapau
Fizemos dessa coerência o nosso modelo: compramos só a pescadores licenciados, transformamos só o que a campanha dá, rotulamos por lote e dizemos quando algo esgotou. O valor do nosso produto vem do produto em si — origem, preparação e rastreabilidade — não de escassez inventada.
Para nós, proteger a biodiversidade é também proteger o futuro das comunidades e atividades que dependem destes recursos. O comércio legal, transparente e rastreável é uma componente importante, mas deve coexistir com gestão do habitat, conectividade, fiscalização e monitorização científica.